sábado, 21 de dezembro de 2013

Crise? As sete soluções.

O professor Philipp Bagus, da Universidade Rey Juan Carlos, acaba de publicar um bom artigo nas páginas do Ludwig Von Mises Institute, aqui não traduzido mas resumido.

Vale a pena ler, pois Bagus, economista liberal clássico, apresenta a actual situação dos Países ocidentais e descreve as possíveis saídas.

Que, podemos antecipar já, não são nada simpáticas.


A situação

Um sistema baseado no papel-moeda e nas mãos dos privados contém as sementes da sua própria destruição. A tentação de imprimir cada vez mais dinheiro para aumentar a sua quantidade em circulação é quase irresistível.

Num sistema que precisa constantemente de mais dinheiro, onde há um continuo aumento dos preços, não faz sentido poupar hoje para comprar amanhã: a melhor estratégia é endividar-se para comprar bens hoje e pagar amanhã, com o dinheiro já desvalorizado. Ainda melhor: comprar bens que possam ser dados como garantias para novos empréstimos. Criamos assim o perfeito cidadão eternamente endividado. E escravo.

Mas as consequências atingem também o Estado: a moeda criada não é utilizada para favorecer o desenvolvimento ou o bem estar social, nem sequer enche os cofres nacionais. E aparecem as dívidas públicas excessivas, "os investidores" estrangeiros.

O mundo ocidental encontra-se agora numa situação em que o sistema do "dinheiro de papel" parece um beco sem saída. Os governos "resgataram" os maus investimentos feitos pelo sector privado, aumentando deficit e despesa, taxando: as dívidas públicas aumentaram também; os bancos centrais (a maioria deles, lembramos, geridos directamente ou indirectamente por privados) começaram a imprimir mais dinheiro para comprar dívida pública. E é tudo dinheiro "grátis", com taxas de juros perto de zero.

Não está à vista nenhum crescimento. E, ao mesmo tempo, os sistemas bancários estão sentados em cima de enormes pilhas de dívida. Isso significa que a falência duma economia (não necessariamente grande) poderia arrastar consigo um bom número de bancos (não necessariamente pequenos).


O aumento das taxas de juro para níveis mais realistas ou até um abrandamento na impressão de nova moeda poderia pôr em risco a solvência de todo o sector bancário, as empresas com um elevado endividamento e até os governos (caso dos Estados Unidos).


As sete soluções

Esta, de forma sintética, a actual situação.
Mas isso significa o quê? Será preciso continuar a imprimir cada vez mais dinheiro e manter as taxas de juros perto de zero, até todos perderem a confiança no sistema monetário? O sistema de papel-moeda irá para a frente ou, mais cedo ou mais tarde, chegará inevitavelmente uma fase de hiperinflação?

Existem, pelo menos, sete possibilidades :


1. Bombear sempre
Os governos e os bancos centrais podem simplesmente continuar no caminho da inflação, imprimindo todo o dinheiro necessário para salvar o sistema bancário, os governos, as empresas de investimentos. Então, chegará a "hiperinflação": o dinheiro terá cada vez menos valor, os preços irão crescer de forma brutal.

Prós: com a hiperinflação, as dívidas quase desaparecem (ter uma dívida de 1000 quando uma sandes custar 1 significa ter uma grande dívida; ter uma dívida de 1000 quando uma sandes custar 2000 significa ter uma pequena dívida).
Contras: com a hiperinflação as poupanças (até os ordenados) perdem imenso valor (ganhar 1000 quando uma sandes custar 1 é bom; ganhar 1000 quando uma sandes custar 2000 é uma miséria).

2. Desaparecimento dos direitos adquiridos.
Os governos podem melhorar a situação financeira simplesmente não honrando as suas promessas. Por exemplo, podem reduzir drasticamente as pensões públicas, a segurança social e os subsídios de desemprego para eliminar o deficit orçamentário e saldar dívidas pendentes. Muitos direitos, em que as pessoas tinham fundado as suas próprias escolhas na vida, de repente desaparecem.
É a estrada escolhida pelo governo de Portugal.
É uma opção com custos enormes no médio e longo prazo: os deficit são sanados (no curto prazo), verdade, mas é quebrada a confiança de cidadãos e empresas, diminuem investimentos e consumos.

Prós: Forte poupança do Estado, dívida paga.
Contras: Fortes tensões sociais, economia a pique, altos custos no médio e longo prazo.

3. Negar a dívida.
Os governos podem decidir não honrar as suas dívidas. Parece simples, mas também neste caso as consequências são pesadas. Não honrar as dívidas implica perdas para os bancos e companhias de seguros que investiram as poupanças dos seus clientes nos Títulos do governo (que deixam de ser adquiridos: quem compra o Título dum Estado que depois não paga?). As pessoas vêem o valor dos seus investimento cair abruptamente, mas este é apenas o começo: desconhecer a dívida pode facilmente levar ao colapso do sistema bancário nacional antes e de boa parte do internacional depois (os bancos estão todos interligados).

Prós: a dívida "desaparece".
Contras: também desaparecem as poupanças dos cidadãos com o colapso do sistema bancários.

4. Repressão financeira.
Outra maneira para tentar sair da armadilha da dívida é a repressão financeira, uma maneira de canalizar mais fundos para o governo, facilitando assim o pagamento da Dívida Pública. A repressão financeira pode ser gerada com regulamentos que torne menos atraentes as alternativas aos fundos de investimento públicos: desta forma, é incentivada a compra de Títulos de Estado.

Prós: boa parte da nova dívida é gerada por Títulos de Estado vendidos "em casa" e subtraída aos especulatores internacionais.
Contras: é uma medida parcial, que sozinha não resolve o problema. É necessário também que haja um crescimento real e cortes nos gastos para realmente poder ter efeito.

5. Pagar a dívida.
O problema da super-endividamento também pode ser resolvido com medidas fiscais. A ideia é eliminar as dívidas dos governos e recapitalizar os bancos através dos impostos. A redução do crescimento da dívida alivia a necessidade do banco central de manter os juros baixos e continuar a imprimir moeda. Para atingir esse objectivo, o governo deve cortar a despesa pública, desapropriar riqueza em grande escala: aumentar as taxas, expropriar, confiscar a riqueza. Em seguida, usa estas receitas para pagar as dívidas e recapitalizar os bancos.

Prós: a dívida é paga, abranda a criação de dinheiro.
Contras: empobrecimento geral, queda abrupta do consumos, economia em crise.

6. Reforma monetária.
Outra solução é pensar numa reforma da moeda, incluindo um default (parcial) da dívida pública. Esta opção também é muito interessante para eliminar o sobre-endividamento sem chegar a uma forte inflação dos preços. É como carregar a tecla "reset", começando de novo com uma nova moeda.
Mas também isso tem consequências: os investidores na posse de grandes quantidades de dinheiro são os mais atingidos.

Prós: diminui a dívida pública, o peso da dívida sobre cada cidadão é reduzido também, inflação controlada.
Contras: a nova moeda será mais débil, perdas significativas para os grandes investidores.

7. Bail -in.
Depois há o bail-in, o esquema já utilizado em Chipre: os credores do banco (os depositantes) absorvem as perdas da instituição. Tornam-se "accionistas" do mesmo banco. As dívidas de facto diminuem e o capital aumenta. O problema é que uma pessoa deveria tornar-se accionista duma empresa com base voluntária, não por decisão unilateral do governo. O bail-in significa que os erros dos bancos são pago por quem depositou as suas poupanças numa conta ou adquiriu outros produtos financeiros (um programa de reforma, um seguro, etc.). O resultado é mais uma vez uma quebra de confiança no relacionamento cidadão-Estado, desta vez quebra que envolve os bancos também, pois são eles os beneficiários directos. E nem falamos aqui de assuntos ligados à ética...

Prós: as dívidas de bancos, e em parte do Estado, diminuem.
Contras: os erros dos bancos são pagos pelos clientes, forte quebra de confianças do cidadãos, prováveis consequências na economia (menos compras).


O mix e a conta

Estas são as sete hipóteses em cima da mesa. Por enquanto não é possível vislumbrar outra.
Podemos enfrentar qualquer uma destas ou uma combinação de duas ou mais opções (o que é mais provável).

Em qualquer caso, os "buracos" criados pela má gestão vão ser postos em evidência e a ilusão de riqueza irá acabar. Em essência, os contribuintes e os investidores vão ser espremidos para reduzir as dívidas do Estado e fortalecer a moeda. Um imposto extraordinário sobre o património, uma reforma monetária ou um bail -in: tudo isso constitui "repentinas medidas brutais".

A inflação é muito popular entre os governos, porque permite esconder os reais custos dos resgates dos bancos. Mas há sempre o perigo de que a inflação possa ficar fora de controle. Antes de chegar à inflação galopante, os governos tentarão percorrer as outras opções, um mix delas.

A única coisa sobre a qual não podemos ter dúvida é quem pagará a conta.


Ipse dixit.

Nota: Philipp Bagus é professor associado da Universidade Rey Juan Carlos. Foi premiado em 2011 com o O.P. Alford III Prize in Libertarian Scholarship. É o autor de "A Tragédia do Euro" e co-autor de "Deep Freeze: o colapso económico da Islândia".""A Tragédia do Euro" até agora tem sido traduzido e publicado em alemão, francês, eslovaco, polaco, italiano, romeno, finlandês, espanhol, português, inglês, holandês, português do Brasil, búlgaro e chinês.

Bagus é um economista clássico liberal, da assim chamada "escola austríaca". Nada de Modern Money Theory por aqui, portanto.

Referência: Informação Incorrecta
Fonte: Ludwig Von Mises Institute

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