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quarta-feira, 22 de julho de 2015

OS IMPACTOS ECONÔMICOS DA TERCEIRIZAÇÃO

Ao reduzir os salários, a terceirização tem um impacto imediato sobre o consumo. Reduzir um componente importante da demanda total e esperar que o investimento privado se eleve de forma sustentada parece uma aposta arriscada.

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Os impactos da terceirização sobre o mercado de trabalho e sobre a distribuição de renda já foram amplamente debatidos por diversos especialistas. No entanto, pouco se discutiu os impactos macroeconômicos, em termos de crescimento, do PL 4.330/2004.
Os defensores dessa lei são os mesmos que julgam como principal trava ao investimento – e, portanto, ao crescimento – o aumento do salário real acima da produtividade. Dessa forma, o PL 4.330/2004 é visto como fundamental para se reduzir o custo salarial e, assim, melhorar as condições de oferta da indústria.
No entanto, como apontou o economista Antônio Carlos Diegues em artigo no Valor (26/03/2015), a perda de competitividade da indústria brasileira não é resultado do aumento dos salários reais acima da produtividade, mas, sim, resulta de fatores como a baixa intensidade de capital por trabalhador (sintoma do viés maquilador assumido pela indústria brasileira na última década) e a já baixa participação na estrutura produtiva doméstica de setores com elevada produtividade.
Surpreendentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) – que é conhecido pelo apoio a medidas de flexibilização do mercado de trabalho – aponta na mesma direção, em recente relatório publicado: o estudo analisa o efeito de reformas estruturais no crescimento da produtividade nos países do G20 e mostra que os maiores ganhos de produtividade estão associados com investimentos em pesquisa e desenvolvimento e em tecnologias de informação e comunicação, indicando que investimentos em infraestrutura também têm impacto positivo na produtividade no longo prazo. Efeitos, a princípio, esperados. Mas a surpresa é que, segundo o estudo, a regulação do mercado de trabalho não tem impacto estatisticamente significante na produtividade total, ou seja, não afeta a produtividade das economias analisadas positiva ou negativamente.
Dessa forma, defende-se que a retomada da competitividade da indústria e, assim, a recuperação sustentada do investimento – em um cenário de acirramento da concorrência global – não se faz por meio da redução do custo salarial.
Um exemplo recente, que, embora distinto, provoca os mesmo efeitos macroeconômicos, é a desoneração da folha de pagamentos , mostrando claramente que o custo salarial não era entrave para a retomada do investimento nos últimos anos.
Ademais, conforme demonstra o relatório de 2014 do National Employment Law Projectwmp, a terceirização torna as condições de trabalho mais precárias, aumentando o número de acidentes e acarretando a diminuição de direitos e salários: faz da remuneração média do trabalhador relativamente menor quando comparada à de um trabalhador não terceirizado que ocupa função equivalente.
Além disso, ao reduzir os salários, a terceirização tem um impacto imediato sobre o consumo: por exemplo, os menores salários significam, diretamente, uma redução da demanda solvente da classe trabalhadora e o rendimento mais baixo faz com que os trabalhadores tenham uma capacidade menor de acessar o crédito – ou o façam em condições piores em termos de prazos e taxas. Ambos os fatores, combinados, contribuem para a redução do consumo – e, portanto, das condições de vida da maior parte da população brasileira.
Políticas dessa natureza em um contexto econômico que aponta para uma recessão não parecem ser as mais acertadas: reduzir um componente importante da demanda total – o próprio consumo – e esperar que o investimento privado se eleve de forma sustentada parece uma aposta arriscada quando se tem em mente que a riqueza é investida se, e somente se, existe a expectativa de que a própria demanda seja elevada.
Em outras palavras, ainda que o menor custo do trabalho amplie a rentabilidade de determinadas atividades, nada garante que a menor demanda da classe trabalhadora seja contrarrestada por uma ampliação dos investimentos, uma vez que estes dependem do que se espera ser a demanda total no futuro.
Pelo contrário, o mais provável é que a redução da demanda dos trabalhadores aprofunde o ambiente de pessimismo do empresariado e torne cada vez mais provável o cenário que já se configura: a crise.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Como a Terceirização pode afetar a sua vida

Trecho de episódio de Os Simpsons revela, de maneira didática e bem humorada, o impacto da terceirização no mundo do trabalho. PL da Terceirização no Brasil foi aprovado pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (22) 


Episódio de Os Simpsons explica o impacto da terceirização no mundo do trabalho

Aprovado nesta quarta-feira (22) pela Câmara dos Deputados por 230 votos a favor e 203 contrários, o PL da Terceirização já é considerado o mais duro golpe contra a classe trabalhadora brasileira no período pós-ditadura.

Entre os partidos favoráveis à emenda estão PMDB, PSDB, PP, PTB, DEM e PPS. Foram contra PT, PRB, PDT, PCdoB, Pros, PSOL e, em parte, o PSB. Já o PSD e o PR liberaram as suas bancadas. Veja aqui como votou cada deputado.

O texto aprovado ainda será submetido à votação no Senado Federal. Caso seja novamente aprovado, caberá a Dilma sancioná-lo ou vetá-lo. É importante salientar, porém, que se os senadores rejeitarem ou modificarem o projeto de lei, o texto poderá ainda retornar à Câmara, onde foi inicialmente aprovado, para que os deputados façam as alterações finais, ou, simplesmente, anulem todas as mudanças realizadas pelo Senado. O projeto ainda está sujeito a uma ação de inconstitucionalidade perante o STF.

O PL da Terceirização não configura um golpe contra o governo, mas um golpe contra o povo brasileiro que está próximo de perder muitos de seus direitos conquistados a duras penas. Para quem quer uma explicação mais didática e bem humorada sobre os impactos da terceirização no mundo do trabalho, a dica é assistir a um trecho de um episódio da 17ª temporada do seriado Os Simpsons: 



                         

FONTE: PRAGMATISMO POLÍTICO

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