De origem congolesa, membro do Governo italiano fala sobre o problema que atinge o país como um todo.
Além dos gols, o atacante Mario Balotelli se destaca por evidenciar, de certa forma, as tensões raciais que atinge o futebol italiano e, por que não, o país como um todo. Para a Ministra da Integração, Cecile Kyenge, o jogador do Milan é tido como uma ameaça aos preconceituosos, mesmo com suas boas atuações por seu clube e sua seleção.
Kyenge, que tem origem congolesa, foi alvo de um manifestante que lhe atirou bananas durante um discurso na sexta-feira, e se mostrou determinada a contribuir para o fim deste problema social que faz parte do dia-a-dia da Itália.
"Se você for um bom administrador ou líder político, então precisa reconhecer este problema, entender suas causas e encontrar o melhor jeito para se comunicar, e reagir", ela explicou em entrevista ao
Gazzetta dello Sport.
"O racismo é ajudado pela crise econômica, por medo, insegurança, e pela ideia de diversidade, que nunca é mostrada através de seu viés enriquecedor de uma cultura."
"Afinal de contas, o que está acontecendo comigo também acontecendo com Mario Balotelli. Quando ele era jogador italiano, e apenas isso, jogando fora do país, ele era aceito, de certa forma. Agora que ele representa o país, joga pela seleção, marca gols e vence, é normal que algumas pessoas se sintam ameaçadas."
Recentemente, o belga Kevin Constant deixou a partida do Milan contra o Sassuolo após ouvir insultos racistas da torcida adversária, algo pelo qual o meia Kevin-Prince Boateng também passou no início de 2013. Situações que Kyenge pretene banir do esporte no país.
"É mais ou menos o que aconteceu comigo quando fui eleita ministra", continuou a ministra.
"Tudo acaba se resumindo ao medo da diversidade, e é por isso que devemos mudar o meio pelo qual comunicamos o que este conceito [diversidade] realmente significa. Uma
Nazionale multi-étnica é inevitável e natural que surja."
"O esporte está acordando para o problema do racismo, e nós precisamos multiplicar nossas iniciativas nesse sentido. Desde terça, nós iniciamos um plano de três anos para lutar contra a discriminação racial. Se eu irei para o Brasil durante a Copa? Espero que sim."